
Microphone Guide: Ribbon Microphones
Microphone Technology
Bem-vindos à segunda parte do nosso guia de microfones.
No guia anterior, exploramos os microfones dinâmicos de bobina móvel. Desta vez, vamos conhecer outro tipo de microfone que também funciona por meio de indução eletromagnética, mas que apresenta um comportamento bastante diferente na prática: o microfone de fita (ribbon).
Os microfones de fita são conhecidos por sua sonoridade suave, resposta natural nas altas frequências e pelo característico padrão polar bidirecional, também conhecido como figura de oito. Eles podem ser extremamente úteis quando buscamos uma gravação detalhada, mas sem um som excessivamente brilhante ou agressivo.
Vamos começar entendendo um pouco de sua história e como eles realmente funcionam.

Antes de começar: tipo de microfone e padrão polar continuam sendo coisas diferentes
Assim como no guia anterior, o tipo de microfone se refere ao princípio de funcionamento do transdutor, ou seja, à maneira como o microfone converte energia sonora em sinal elétrico. Já o padrão polar descreve a direção, ou as direções, de onde o microfone capta o som.
Os microfones de fita são frequentemente associados ao padrão polar figura de oito, pois seu elemento de fita fica exposto ao som tanto pela parte frontal quanto pela traseira. Entretanto, nem todo microfone de fita necessariamente possui um padrão polar figura de oito.
Portanto, mais uma vez, é importante separar estas duas perguntas: "Como o microfone transforma som em eletricidade?" e "De quais direções ele capta o som?"
A little hiUm pouco da história
Os microfones de fita se tornaram viáveis para uso profissional durante as décadas de 1920 e 1930 e foram rapidamente adotados no rádio e nos estúdios de gravação. O microfone de fita BBC-Marconi Type A se tornou um dos modelos mais reconhecidos da radiodifusão britânica, sendo amplamente utilizado pela BBC a partir da década de 1930. Uma das principais pioneiras dessa tecnologia foi a RCA (Radio Corporation of America), cujos microfones de fita passaram a ser amplamente utilizados nas rádios e nos estúdios de gravação dos Estados Unidos. | ![]() |
Modelos como o RCA 44 e o RCA 77 se tornaram icônicos e permaneceram associados à captação de voz para rádio, gravações orquestrais e vocais durante décadas. | |
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Na Europa, os microfones de fita foram desenvolvidos por fabricantes como a Beyerdynamic e, posteriormente, a Coles. Os microfones de fita passaram a ser especialmente valorizados por sua sonoridade suave e natural, em uma época em que os sistemas de gravação podiam facilmente produzir um som agressivo nas frequências mais altas. Embora os microfones condensadores tenham se tornado predominantes em muitos estúdios posteriormente, os microfones de fita nunca desapareceram. Nas últimas décadas, eles passaram por um grande ressurgimento e hoje são comuns tanto em configurações tradicionais quanto modernas de gravação. |
Como um microfone de fita funciona?
Um microfone de fita funciona por meio de indução eletromagnética, assim como um microfone dinâmico de bobina móvel. A diferença é que ele não possui um diafragma e uma bobina de voz separados. Em vez disso, o microfone contém uma tira extremamente fina de metal condutor (a fita) suspensa dentro de um campo magnético.

Quando o som atinge o microfone, as variações na pressão do ar fazem com que a fita se movimente para frente e para trás. Como a própria fita é eletricamente condutora, seu movimento dentro do campo magnético induz uma pequena tensão elétrica.
Portanto, o processo básico é:
Onda sonora → movimento da fita dentro do campo magnético → geração de tensão elétrica
Assim, a fita atua simultaneamente como diafragma móvel e condutor elétrico. Isso mantém a massa móvel dentro do transdutor extremamente baixa.
O que essa construção significa na hora de gravar?
O elemento de fita é extremamente leve e consegue responder facilmente às variações na pressão do ar. Isso permite que os microfones de fita reproduzam os transientes de maneira natural, mantendo uma resposta de frequência suave.
Diferentemente de muitos microfones condensadores, os microfones de fita geralmente não são projetados para enfatizar as frequências mais altas. Por isso, costumam ser descritos como microfones de sonoridade quente, suave ou natural, sendo particularmente úteis na captação de fontes sonoras que poderiam soar agressivas ou excessivamente brilhantes com outros tipos de microfone.
Em contrapartida, os microfones de fita passivos tradicionais geralmente apresentam um nível de saída relativamente baixo e podem exigir uma quantidade considerável de ganho limpo do pré-amplificador.
Embora muitos microfones de fita modernos sejam significativamente mais resistentes do que os modelos antigos, o próprio elemento de fita continua sendo fisicamente delicado.

Vantagems e desvantagens
Vantagems | Desvantagens |
Resposta suave e natural nas altas frequências | Modelos passivos geralmente apresentam baixo nível de saída |
Massa móvel extremamente baixa | Podem exigir bastante ganho limpo do pré-amplificador |
Excelente resposta a transientes | Os elementos de fita tradicionais são delicados |
Muito úteis para fontes sonoras brilhantes ou agressivas | Rajadas fortes de ar podem danificar alguns elementos de fita |
Sonoridade natural fora do eixo de captação | Muitos modelos possuem padrão polar figura de oito e, portanto, captam som tanto pela frente quanto por trás |
Podem apresentar excelentes resultados na gravação de instrumentos | Alguns modelos passivos exigem cuidados com o phantom power |
Os microfones de fita podem, portanto, ser extremamente tolerantes com fontes sonoras muito brilhantes, mas também exigem atenção especial ao posicionamento no ambiente e à estrutura de ganho (gain staging).
Onde podemos utilizar um microfone de fita?
Os microfones de fita são comuns em situações de gravação nas quais buscamos uma sonoridade suave e natural.
Algumas aplicações típicas incluem:
Amplificadores de guitarra
Instrumentos de sopro de metal
Instrumentos de cordas
Overheads de bateria
Microfones de ambiente (room mics)
Vocais
Piano
Gravações orquestrais
Percussão
Instrumentos de sopro de madeira
Locução e voz falada

Eles são particularmente populares na captação de amplificadores de guitarra elétrica, pois conseguem preservar os detalhes do som enquanto reduzem a agressividade que pode aparecer na região dos médios-agudos.
É importante lembrar, entretanto, que rajadas fortes de ar devem ser evitadas, pois podem esticar ou danificar a fita.
Os microfones de fita também são frequentemente utilizados em conjunto com outros tipos de microfone. Por exemplo, combinar um microfone de fita com um microfone dinâmico de bobina móvel na captação de um amplificador de guitarra pode proporcionar uma combinação interessante de ataque, corpo e suavidade.
Por que os microfones de fita geralmente possuem padrão polar figura de oito?
Em um microfone de fita tradicional, ambos os lados da fita ficam expostos ao ar ao redor.
O som que chega pela frente empurra a fita em uma direção. Já o som que chega por trás a empurra na direção oposta. O som que chega pelas laterais atinge os dois lados da fita praticamente ao mesmo tempo e, portanto, produz muito pouco movimento resultante.
Isso gera o característico padrão polar figura de oito, com alta sensibilidade na parte frontal e traseira e forte rejeição nas laterais.
Essa rejeição lateral pode ser extremamente útil no posicionamento dos microfones, pois permite direcionar os pontos de menor sensibilidade (nulls) para fontes sonoras indesejadas.
Uma exceção famosa é o Beyerdynamic M 160. Diferentemente da maioria dos microfones de fita tradicionais, ele utiliza um padrão polar hipercardioide em vez de figura de oito.

Isso faz do M 160 um excelente exemplo de que o princípio de funcionamento do transdutor de fita não determina automaticamente o padrão polar do microfone.
A distância faz diferença
Os microfones de fita frequentemente apresentam um efeito de proximidade bastante pronunciado, já que muitos modelos tradicionais possuem padrão polar figura de oito. Aproximar o microfone da fonte sonora pode aumentar consideravelmente a resposta nas baixas frequências.
Isso pode fazer com que uma voz, um amplificador de guitarra ou um instrumento de sopro de metal soe mais encorpado e potente.
Ao afastar o microfone, esse efeito geralmente diminui, permitindo também que uma quantidade maior do som ambiente seja incorporada à gravação.
Portanto, a distância exerce uma grande influência tanto no equilíbrio tonal quanto na quantidade de ambiência captada.

Uma observação sobre phantom power
Os microfones de fita passivos tradicionais não precisam de phantom power.
Embora alguns modelos passivos modernos sejam projetados para tolerá-lo, microfones de fita mais antigos e delicados podem ser danificados caso o phantom power seja aplicado em condições de conexão defeituosa ou desbalanceada.
Por esse motivo, é importante ter cuidado ao utilizar phantom power com microfones de fita.
Os microfones de fita ativos são diferentes. Eles possuem circuitos eletrônicos ativos e podem precisar de alimentação phantom power de 48V.
Em caso de dúvida, consulte as especificações do fabricante antes de ativar o phantom power.
Alguns microfones de fita conhecidos
Microfone | Aplicações Típicas |
![]() | Radiodifusão histórica, vocais e gravações orquestrais |
![]() | Rádio, vocais, locução e gravações em estúdio |
![]() | Overheads de bateria, instrumentos de sopro de metal, cordas e gravações orquestrais |
![]() | Amplificadores de guitarra, instrumentos de sopro de metal e outros instrumentos |
![]() | Amplificadores de guitarra, bateria e outros instrumentos |
![]() | Vocais, amplificadores de guitarra, ambientes e instrumentos |
Espero que esta introdução aos microfones de fita tenha sido útil. Se tiverem alguma dúvida, podem me enviar um e-mail.
No próximo episódio, vamos explorar os microfones condensadores: como funcionam, por que geralmente apresentam maior sensibilidade e por que são tão utilizados em gravações de estúdio.









